quarta-feira, 16 de março de 2011

A ULTIMA VIAGEM



Em meados do século XVII, o Grande Galeão recheado de ouro, prata e açucar, navegava imponente na noite fria e nevoenta no mar do Caribe. A maioria da tripulação (que era nada menos que duzentos marujos ao todo) descansava nas cabines e sonhavam com a chegada a Inglaterra onde beberiam muito rum nas tabernas e transariam em demasio, enquanto alguns trabalhavam no convés sendo observados pelo jovem capitão John. Enquanto caminhava pelo convés, apertando algo no bolso da calça, o capitão ditava ordens e vez ou outra, ajudava um marujo a puxar uma corda. Diferente das outras viagens que fizera, o capitão estava um pouco entristecido. O motivo era que aquela seria sua última viagem como capitão depois de cinco anos comandando o navio. Gostava muito da sua profissão, embora fosse um tanto arriscada, pois a qualquer momento, poderia ser atacado por piratas, saqueado, perder seus marujos e até acabar sendo morto. Mas isso nunca o impedira de seguir viagem, pelo contrário, achava que esses riscos temperavam ainda mais a aventura. Mas ele tinha certeza que iria se conformar mais tarde, afinal, estava abandonando a profissão para se casar com uma jovem que amava imensamente e não ficaria sem emprego, gerenciaria uma das empresas do pai.
Com o coração um pouco mais leve ao se imaginar num domingo no quintal de sua casa em Londres plantando legumes com a mulher enquanto os futuros filhos brincavam na terra, o capitão se dirigiu a proa e tirou o objeto que segurava no bolso. Era um anel de ouro incrustado de diamantes. Fora sua mãe quem o dera na véspera de sua morte, há quinze anos quando ele ainda era um adolescente obcecado pela vida no mar. Dissera ela que seu tataravô comprara o anel para sua tataravó e o mostrou a um amigo faquir que encantara o anel para ele. Segundo o faquir, o anel deveria ser dado a quem se amasse muito e a pessoa que o receber, poderia fazer um pedido ao qual seria realizado. O anel tinha o poder de realizar qualquer pedido, menos trazer a vida de volta. A mãe do capitão dissera que sua tataravó não acreditava no poder do anel, por isso, jamais fizera um pedido a ele, afinal, tinha tudo o que queria, um homem que amava, dinheiro e saúde e não fora diferente com as outras pessoas que o possuíram, ao ser passado de geração a geração. Nem mesmo a mãe do capitão acreditara, ela assim como ele, achava aquila história de encantamento uma babaquice. O capitão havia planejado meses atrás dar o anel na sua festa de noivado que seria dali a uma semana, um dia depois de chegar a Londres, mas achava que não conseguiria esperar mais nem um dia. Lucy acompanhava-o naquela última viagem e devido a isso a fome de vê-lo no delicado dedo da moça era incontrolável. Resolveu então dá-lo a ela assim que a visse pela manhã.
_ Então, senhor capitão – disse uma voz doce atrás dele, sobressaltando-o – Vai preferir passar a noite nesse convés frio á dormir na sua cabine confortável e quente?
O capitão repondo o anel no bolso virou-se e um sorriso se iluminou na sua face branca e pálida.
_ Quero aproveitar – disse segurando as mãos de Lucy – Afinal, essa é minha última viagem.
Ao dizer isso, Lucy baixou o olhar e uma fina ruga de preocupação surgiu em sua fronte.
_ Espero que esteja fazendo a o que acha melhor, John. Sei o quanto gosta do mar e... me sinto culpada por...
_ Não, Lucy... – interrompeu-a o capitão erguendo seu queixo para que ela o fitasse – Estou fazendo a escolha certa. Amo o mar imensamente, mas meu desejo de ficar contigo, de ter filhos e estar presente em sua vida todos os dias é maior do que minha vontade de continuar como capitão. Seria tolo se abrisse mão do amor que sinto por você para viver no mar. Abro mão de qualquer coisa para ficar com você, pois você é o que ha de mais importante em minha vida. Vamos! Não precisa se sentir culpada.
Ele então a abraçou e ela aconchegou seu rosto em seu peito e os dois ficaram um longo momento assim. Os marujos os observavam discretamente, ávidos de vontade de ter uma mulher para abraçar naquela noite fria, mas deviam se conformar, pois Lucy era a única mulher a bordo e eles deveriam vê-la como um homem.
_ Tenho uma coisa para você – disse o capitão de repente e afastando-se um pouco retirou o anel do bolso e ergueu a delicada mão de Lucy – É o anel de noivado, deveria dá-lo a você solenemente no dia da festa, mas não vejo problema algum em dá-lo agora. Ele então colocou o anel. Alguns marujos exclamaram, mas o casal nem ouviu, pois naquele momento tinham olhos e ouvidos apenas um para o outro.
- É lindo! – exclamou uma Lucy que não cabia em si de alegria – Isso quer dizer então que já estamos noivos?
_ Digamos que sim.
_ Mas... mas é tão... Não posso aceitar...
_ Lucy, esse anel tem passado de geração em geração em minha família. É dado para a pessoa que se ama. Foi minha mãe quem me deu. Nunca o usei é claro pois é um anel feminino. Creio que se minha mãe tivesse tido uma filha mulher... O fato é que o guardei para dar a mulher que escolhi para ser mãe dos meus filhos, a que mais amo nesse mundo.
_ John – disse Lucy suspirando – Se era da sua mãe você deveria guardá-lo, é uma lembrança, um...
_ Não, Lucy. É mais prazeroso vê-lo em seu dedo do que na caixinha encardida que o guardava. Haaa! – exclamou ele como quem se esquece de dizer uma coisa importante – Este anel é bem peculiar, sabe? – e contou a história do anel num tom divertido –Então – continuou ele observando a expressão surpresa de Lucy - quando quiser de todo coração algo, peça, seja o que for, menos que um defunto levante de sua tumba, o anel realizará seu desejo. Mas será apenas um, portanto, sugiro que faça o pedido numa noite, quando meu pai me segurar na empresa depois do horário, peça para que ele me libere logo para que eu possa ir embora vê-la, ou para que caiba num de seus vestidos após ter tido dez filhos ou...
_ Ei! – disse Lucy em meio a risos – Eu não quero engordar nunca. Vai que você resolva trocar a ‘leitoa’ por uma ‘gazela’!
_Hum! Se bem que não é uma má idéia!
Lucy lhe dera um tapa de leve e os dois riram.
_ Bem! – disse o capitão tentado conter o riso – Volte a dormir na sua cabine, daqui a pouco irei para a minha. Não quero que fique com olheiras porque senão acabarei trocando a ‘futura leitoa’ pela gazela mais cedo do que imagina!
E os risos entre eles explodiram como fogos de artifício.
_ Brincadeira – disse o capitão abraçando-a novamente e ficando sério – Prometo que a amarei sempre, pelo resto da vida e não haverá nunca outra mulher capaz de te substituir.
Lucy agora também séria, os olhos brilhando de paixão encarou-o e o capitão a beijou suavemente. A luz do luar tentava em vão atravessar a cortina nevoenta para abençoá-los e os marujos não conseguiram disfarçar agora o olhar sobre eles e o desejo de chegar a Londres ardia ainda mais em cada um. Então, inesperadamente um tiro de canhão fez com que o casal se despregasse assustados e olhando ao redor o capitão viu, em meio a nevoa, um navio encardido de aparencia velha e imenso emparelhado com o Grande Galeão á alguns metros. Um outro tiro de canhão disparou e acertou um dos mastros e rachou-o. Os marujos assim como Lucy viam agora o gigantesco e ameaçador navio ao lado deles, com uma bandeira preta com uma caveira com dois ossos cruzados no topo do mastro.
_ Você tem que sair daqui – disse o capitão agarrando-a e levando-a para o castelo do navio – Fique na sua cabine e não saia de lá até o isso terminar - frisou ele agora no corredor das cabines onde os outros marujos que dormiam saiam para o convés. Alguns desesperados pediam instruções ao capitão que tinha os olhos esbugalhados em Lucy. – Fique deitada no chão e não saia até que tudo isso termine. Sua cabine é reforçada, é segura... VÁ.
Lucy então desesperada agora que os tiros de canhões aumentaram, correra para sua cabine enquanto o capitão berrava instruções. Os marujos pegavam suas armas, enquanto outros ficavam a postos dos canhões do Grande Galeão, se preparando para contra atacar. No convés os piratas já invadiam o navio, armados com punhais, mosquetes, machados e pistolas. Assim que pisavam no convés, esses homens de feições malignas, pele judiada e roupas encardidas e rasgadas avançavam para os marujos e atacavam enfurecidos. Logo o som aterrador de espadas colidindo, tiros de mosquetes, golpes de machados e tiros de canhões se mesclavam com os gritos de desespero, dor e fúria dos lobos e os ratos do mar.
Os ratos do mar (que eram os piratas) mesmo estando em numero maior não levavam muita vantagem contra os lobos que apesar de serem poucos, eram fortes e ágeis enquanto os piratas eram fracos e burros.
O capitão John armado de seu mosquete parecia incansável e invencível. Ao seu redor o número de cabeças e braços decepados aumentavam na media em que os piratas avançavam sobre ele. Até agora, os lobos do mar não avistaram o capitão pirata que observava a batalha no castelo de seu navio que era destruído a cada tiro de canhão.
Lucy permanecia estirada em sua cabine, mas se sentia covarde em estar ali enquanto seu amado lutava lá em cima com seus homens. Sabia que não poderia fazer muita coisa se decidisse lutar, ou melhor, não poderia fazer nada, não sabia nem segurar uma pistola, mas mesmo assim, decidiu sair e enfrentar a seu modo os piratas. Sentia também uma necessidade e um desespero descontrolado de ver o capitão. Quando saiu da cabine, viu o corredor coberto de sangue e corpos espalhados, o horror a abraçou aponto de quase sufocá-la mas isso só aumentou sua coragem e determinação para lutar. Apanhou uma pistola sangrenta no chão e saiu para o convés. A luta pelo jeito não iria demorar para terminar, dezenas de corpos jaziam no chão, a maioria eram seus companheiros. Horrorizada, olhou para os lados e viu John lutando com três ou quatro piratas armados com machados. Ela então, segurando, a pistola com as duas mãos, disparou nos ratos que o atacavam e por sorte acertou um na cabeça, isso pareceu animá-la. Subiu pelo mastro e apoiando-se nas cordas, disparou novamente, mas não saiu tiro algum. As balas haviam acabado. Frustrada e trêmula desceu e retirou um cutelo enfiado na barriga de um pirata e golpeou um, dois, três... Os que golpeava eram os que lutavam contra os marujos do Grande Galeão. Com seu vestido branco, manchado de sangue esgueirava-se e arrancava uma cabeça aqui e um braço ali e por um bom tempo continuou assim.
O Grande Galeão estava em destroços. Um dos mastros se partira no meio e havia destruição por toda parte. O casco fora atingido em vários pontos e quando o capitão John ao reparar na proa do seu navio que se inclinava, avistou Lucy lutando. O pavor em seu rosto aumentou, girou seu mosquete e arrancara duas cabeças e correra ao encontro de Lucy.
_ Você é louca? – bradou ele decepando mais uma cabeça de um pirata esguio que corria para atacar Lucy – Mandei ficar na cabine. Está tentando se matar?
_ Não pude evitar – respondeu ela cada vez mais surpresa consigo mesma. - Não sou uma covarde. – e afundou seu cutelo na garganta de um pirata baixinho.
_ Vou...
Mas o resto da frase ele não terminou, pois uma voz gutural e estridente o fez emudecer:
_ Resistam pestes! – disse um corpulento homem com uma juba de cabelos emaranhados e rosto cicatrizado que acabara de pular no navio. Usava roupas extravagantes e um feio chapéu preto. Seu rosto era de poucos amigos – Não têm a menor chance contra os homens do capitão Casca Grossa.
O capitão John aproveitando que agora não havia nenhum pirata desocupado perto dele, agarrou o braço de Lucy e levou-a em direção ao castelo destruído, mas o feio capitão se interpôs entre eles e agarrou o outro braço de Lucy que gritou. John se virou e tentou golpeá-lo, mas o outro, diferente dos demais piratas não era burro e nem lento, desviou com precisão do golpe, desarmou John e Lucy com seu mosquete e arrastou-a em direção ao seu navio. Uma bala de canhão atingira a lateral do castelo e lascas de madeira acertaram a barriga de John que parou na hora e, meio agachado, cobriu-a com as mãos. Lucy o fitava desamparada, enquanto era arrastada como um saco vazio. Via as mãos de John cobertas de sangue, ele a fitava também. Uma lágrima escorria de seus olhos e se misturavam ao suor. O pirata jogou Lucy no ombro, segurou uma corda e se preparou para atravessar, mas nesse momento, John se ergueu, tirou as mãos da barriga para apanhar seu mosquete e um emaranhado de tripas caíra para o chão, ele, com os olhos em Lucy tentou dizer algo, mas não conseguiu, tombou de lado e antes que batesse no chão, um machado lhe arrancara a cabeça e a arremessara no mar. Lucy gritou e chamou por ele, o capitão com um sorriso firmou-se na corda e como um macaco num cipó, atravessou para o seu navio.
Pouco tempo depois, os marujos do Grande Galeão jaziam mortos e os piratas que sobreviveram, saquearam apressadamente todo o ouro e prata e depois de alguns minutos, todos observavam satisfeitos o Grande Galeão ser engolido pelo mar e assim que ele desapareceu, os piratas urraram de alegria. Uma pequena orquestra começou a tocar e a festa começou.
Lucy não vira o Grande Galeão se afundar, pois fora levada ao castelo do navio e agora jazia numa cadeira. Lagrimas não paravam de rolar de sua face e um tremor descontrolável dominava seu corpo, fazendo a cadeira balançar também. Estava rodeada de piratas, todos cheirando a sangue. O capitão Casca Grossa sentara-se defronte a ela e fazia perguntas do tipo, “ Qual seu nome, florzinha?, “ Que idade tem?”... Como ela não respondia as simples perguntas, bombardeou-a com frases obscenas do tipo: “ Quer que eu a possua?” “Garanto que sou bom de cama, mas se você não se sentir satisfeita, posso dividi-la com minha turma aqui! Você quer, gazela?” Ela ignorava-o completamente. Na verdade mal ouvia o que ele dizia, repassava em sua mente a cena em que vira John morrer. Não queria acreditar, a poucas horas estavam os dois juntos e felizes, cheios de planos e agora John estava morto e ela nas mãos dos piratas.
Depois de tentar inutilmente fazê-la conversar, o capitão Casca Grossa irritou-se, chutou a cadeira em que se sentava e a colocou de pé:
_ Acho que a dança a animará.
Agarrou-a na cintura e pôs-se a dançar grotescamente enquanto os piratas babavam em êxtase e bebiam rum. Lucy o esmurrava, tentava morde-lo, livrar-se dele, mas isso só provocava risos do capitão e sua tripulação. Depois de tanto rodopiar, o capitão a jogou na mesa e disse:
_ Chega de dança. Vamos pra melhor parte.
Retirou o cinto e abaixou as calças:
_ Marujos imundos – disse ele olhando ao redor – Aprendam como se trata uma prostituta de Satã na cama.
E se jogou em cima dela. Ela gritou, xingou, berrou e esperneou e isso aumentou ainda mais o tesão do Casca Grossa. Ele tentou beijá-la, mas ela afastou sua cabeça grande e feia com as mãos e com isso viu o anel em seu dedo. Um raio de esperança surgiu, fechou os olhos, se concentrou no anel e disse:
_ Quero que sejam todos mortos pelos espíritos daqueles que morreram nas malditas mãos de vocês. Que sangrem e que sofram.
Ouve silêncio total, até a banda que tocava ao fundo parou após ouvir essas palavras. Eles se entreolharam e caíram na gargalhada logo em seguida.
_ Prostituta imunda e doida! – berrou o capitão – Acha que é uma bruxa? – e desferiu um golpe em seu rosto – Vou fazer essa prostituta gemer tanto que até no inferno ouvirão seus gemidos, depois, o que sobrar é de vocês.
Todos urraram concordando. O capitão ordenou para que segurassem os braços e as pernas dela e começou a se despir. Logo após tirar a camisa, um vento avassalador tomou conta do navio e formaram ondas enormes no mar. O navio fora sacudido em todas as direções, as ondas pareciam querer virá-lo. A bandeira no alto do mastro rasgou-se com a força do vento.
_ Que diabos. – xingou o capitão saindo de cima dela e se segurando para não cair – Tempestade agora NÃO! HOMENS, PARA O CONVÉS. LEVEM ESSA PROSTITUTA PARA O PORÃO, DEPOIS CUIDAREMOS DELA. RÁPIDO, BANDO DE LESMAS.
Três homens agarraram Lucy enquanto o resto corria atrapalhados para o convés, mas na mediada que saiam, berros e urros de pavor aumentavam. Os três piratas que seguravam Lucy a soltaram e correram para lá e Lucy convicta do que acontecia lá fora, os seguiu. O que viu fora uma cena que jamais iria esquecer, assim como a morte de John, mesmo que vivesse cem anos. Vultos prateados armados sobrevoavam o navio e atacavam. Enterravam cutelos, cimitarras, punhais, mosquetes dentre outras armas nos piratas que impotentes e assustados tentavam correr para escapar do ataque. Num canto o capitão Casca Grossa era atacado por inúmeros fantasmas que enfiavam apenas a ponta de suas armas para que sofresse mais, depois sem pressa, decapitaram suas pernas braços e o deixaram morrer agonizado. Lucy olhava por todo lado a procura de John, sabia que ele também deveria estar ali, mas não o via, os fantasmas eram muitos e moviam-se rapidamente ficando impossível contemplá-los por muito tempo. Os gritos foram diminuindo e em pouco tempo cessaram e o mar voltou a ficar calmo.
Os raios do sol foram surgindo ao longe e os fantasmas foram desaparecendo aos poucos. Lucy andava pelo convés chamando por John, mas sua esperança de vê-lo ia sumindo junto com eles. Por fim, ela o avistou. John sorria tristemente enquanto acenava. Ela o chamou de volta, mas ele ia subindo cada vez mais, até que desapareceu. Lucy chorou, escorregou no chão sobre o sangue e gritou agoniada. Quase rouca, contemplou friamente os corpos mutilados ao redor e desejou morrer. Pegou um punhal no chão e fitou-o, a luz do sol refletiu-se nele e quase a cegou. Foi até a borda do navio e cortou as cordas que prendiam um bote e ele caiu no mar.
Quando o sol estava alto e o navio pirata era apenas um pontinho preto no horizonte, no bote, Lucy contemplava pensativa o lindo anel em seu dedo e se odiava por não ter se lembrado dele na hora em que o Grande Galeão estava sendo atacado.
Cansada, deitou-se e cobriu o rosto com as mãos e adormeceu. Quando acordou, se viu a bordo de um navio mercante.

FIM
de Bruno Wolff

Março de 2011