terça-feira, 24 de agosto de 2010

PRESENÇA






Medo, perverso companheiro! Penso que ele é como um fantasma e que está sempre por perto, esperando uma oportunidade para se apossar da gente e quando esta surge, num ímpeto de agilidade, prende-nos com seu manto e brinca conosco passando sua mão podre sobre nosso corpo fazendo arrepiarmo-nos; de sua boca abismal, sopra pensamentos que nos cobre de incapacidade e insegurança... Ah... ele me pegou hoje e sinto-o ao meu lado agora fitando-me com olhos ansiosos, esperando por mais uma oportunidade. Posso sentir o roçar de seu manto ao meu redor, sua respiração gelada... Quer espezinhar-me com suas façanhas, mas estou tentando ser forte. Não posso deixar que me possua novamente, pois caso isso aconteça, creio que me levará a loucura e logo em seguida, á morte.

de Bruno Wolff

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

A NOIVA VIRGINAL







AS PALAVRAS TÊM PODER SOBRENATURAL. CUIDADO COM O QUE VOCÊ DIZ!

...

Um Palio preto parara em frente a uma casa azul e de portões de grades amarelas. Eram 11h20min da noite.
_ Posso te pegar amanhã ás oito? – perguntou o jovem ao volante.
_ Claro, meu amor - respondeu a moça, e ao dizer isso beijou-o demoradamente e em seguida abriu a porta do carro para descer, mas o homem segurou-a pelo braço:
_ Espero que amanhã não fique só no jantar! – disse ele serio.
_ Leo, isso que você esta querendo vai acontecer só depois do nosso casamento. Já conversamos várias vezes sobre isto!
_ Mas que merda, Leiliane! – disse o rapaz irritado. – Temos três anos de namoro, estamos noivos e faltam dois meses pra nos casarmos... Não sei por que quer esperar mais..
_ Já está decidido! Você não vai se orgulhar por se casar com uma virgem?
_ Que diferença faz, antes ou depois... O importante é que será minha!
_ Não. Me desculpe. Mas vai ter que esperar. Já esperou três anos, o que são dois meses?
_ MUITA COISA – gritou ele – Sou homem, sacou? Não está sendo fácil... Acho que vou enlouquecer.
_ Tenha paciência! – disse decidida – O sistema em que fui criada consiste nisso: sexo só depois do casamento.Te disse isso logo no inicio do namoro. – E desceu do carro deixando Leu irritadiço.
_Quer saber de uma coisa? – disse Léu saindo do carro. Ela o encarou, os olhos dele estavam chamejantes de raiva, ela nunca os tinha visto assim. – Cansei dessa sua frescura... Em pleno século vinte e um e você com essa idéia maluca de absitencia sexual. Deve estar sedenta de vontade e fica aí passando vontade, provavelmente se satisfazendo com os dedos ou ...
_ Leo, -disse ela espantada - essa foi a coisa mais absurda que jamais ouvi..
_ Absurdo! – disso ele cuspindo saliva – Quer saber o que é absurdo, quer? É VOCÊ FICAR NEGANDO PRAZER AO HOMEM QUE TE AMA.
_ Leo, - disse Leiliane tremula e roxa de raiva – Você não presta. Se me amasse me entenderia e...
– Ah, não vem com ladainha agora não! – disse apontando o dedo na cara dela.
_ Sou uma idiota mesmo! Perder meu tempo com um animal feito você. Ponha esse seu traseiro nesse carro e suma daqui e não volte nunca mais.
_ Como quiser freirinha. Mas vai se arrepender. – disse se dirigindo ao carro, presentes a se explodir de raiva – Tomara que perca a virgindade com o diabo, pra deixar de frescura.
Ligou o carro então e partiu cantando peneu.

Leiliane ficou um tempo para ali sozinha na rua deserta e silenciosa, tonta, tentando digerir tudo o que ouvira. Não conseguia acreditar que terminara um relacionamento com um homem que amava daquela forma, por pura ignorância dele.
Arrasada, arrastou-se cabisbaixa até seu quarto, torcendo para que aquela confusão toda não tivesse acordado seus pais, mas deu sorte, não os vira aquela noite, na verdade, não os vira nunca mais.
Ficara horas chorando no quarto. Cada lagrima que escorria era a lembrança de bons momentos e cada soluço era a dor ao pensar que devido ao fato de Leo não ter conseguido controlar as rédeas da raiva, por conseqüência, perdera-a para sempre. Sim, era o que ela achava, o fio que os unia arrebentara. Teria ela agora que viver, só Deus sabia ate quando, com a inevitável dor e tristeza.
Quando finalmente o cansaço a dominou levando-a a sonolência, seu celular tocou e bocejando, pegou-o e viu que era uma mensagem de Leo que dizia:
“Meu amor, me desculpe. Agi com a cabeça quente. Espero que me dê a chance de me desculpar pessoalmente. Não quero te perder, pois a amo imensamente. Ainda posso te pegar ás oito para APENAS jantarmos e conversarmos? Beijos”
Um imenso sorriso surgiu no rosto de Leiliane após ler a mensagem. “ Ele se arrependeu e quer se desculpar!”. Nem precisou pensar duas vezes para se decidir. Iria perdoá-lo, afinal era a primeira vez que agia daquela forma e o amor que ela sentia por ele era forte o suficiente para esquecer tudo o que ele dissera. “Sempre dizemos coisas impensadas na hora da raiva e nos arrependemos depois!”.
Respondeu então á mensagem com um lacônico ‘SIM’ e pegando uma foto de Leo num porta-retrato sobre a escrivaninha, adormeceu abraçada a ele.


Mergulhada indefesa nos imagináveis e inimagináveis planos dos sonhos, Leiliane se viu num quarto enorme e pouco iluminado. Um vento morno entrava pelas frestas das poucas janelas do aposento e brincavam com os vários véus vermelhos que pendiam do teto. Assustada e ao mesmo tempo curiosa, Leiliane caminhou por entre eles, tentando adivinhar que lugar seria aquele e porque estava ali.
De repente após afastar um dos véus, se deparara com uma cama redonda, de lençóis finos e de um vermelho mias intenso. Ficara um tempo fitando-a, perdida em pensamentos interrogativos.
_ Bonita, não? Maravilhoso ninho de amor. – disse uma voz de repente e ao olhar sobressaltada na direção do som, Leiliane vira uma sombra disforme atrás de um dos véus.
_ Quem é você? – perguntou assustada.
_ Seu desejo reprimido.
Então, a sombra se aproximou de Leiliane revelando quem era.
_ Leo! – disse ela, o coração disparado.
Por um breve momento, os dois fitaram-se sem dizer palavra, estudando um ao outro.
_ Entregue-se a mim. – disse de repente apontando para a cama.
_ Não, Leo... Não posso... - respondeu ela, sentindo uma estranha repulsa por ele.
Lentamente, ele se aproximara dela, fitando-a intensamente, e ela pôde notar agora estando mais perto, a estranheza que havia naquele olhar. Chamas. Os olhos do rapaz pareciam arder em línguas de fogo.
Ela então sentiu que aquele não era realmente o homem que amava, apesar de ser idêntico fisicamente. Tinha um jeito diferente de andar, falar e principalmente olhar. Seus olhos, ah, seu olhos pareciam ser a porta do abismo do prazer, e depois de um tempo em que não conseguia parar de encará-los, sentiu despertar nela desejos sexuais.
Os olhos do homem seduziam-na e agora faziam seus hormônios inflamarem em chamas. Não conseguia parar de encará-los. Não conseguia.
Leiliane então se perdeu naquele olhar, perdeu a consciência de onde estava, do que era e quem era. Sentia apenas um desejo ardente de transar com ele e quando ele a tocou, levando-a pra cama, sentiu que cada célula de seu corpo o desejava ardentemente ainda mais.
Luxuria. Luxuria.
Leiliane sentia alucinada a boca carnuda do jovem beijar seu corpo á cada peça de roupa que lhe era tirada.
Luxuria. Luxuria.
O jovem ordenara que Leiliane o despisse, e ela fez o mesmo, beijando cada parte daquele corpo sarado que a enlouquecia.
Luxuria. Luxuria.
A pele do homem era quente e seu toque agressivo. Causava arrepios por todo corpo da jovem...
Luxuria. Luxuria.
O jovem a posicionava em várias posições, fazendo-a gemer e implorar para que ele a penetrasse, mas ele fazia suspense. Brincava com ela...
Luxuria. Luxuria.
A boca do homem passeava por todo corpo da jovem fazendo-a gritar de prazer quando mordiscava, lambia e chupava suas partes intimas...
Luxuria. Luxuria.
Corpos suados e ofegantes. Os dois agora se tornaram um só. Trocavam arranhões, tapas e mordidas...
Luxuria. Luxuria.
O homem bebia insaciado o sangue que fluía pela vagina da jovem e ela gostava... Luxuria. Luxuria
Pareceram horas de prazer intenso, e quando os dois finalmente juntos, alcançaram o auge do prazer, o horror tomou conta de Leiliane.
Ao abrir os olhos, vira em cima de si um ser monstruoso. Metade homem, metade bode. Leiliane sentiu como se estivesse no inferno e que fora seduzida, enganada e possuída pelo diabo.
O ser demoníaco então sumiu por entre os véus enquanto Leiliane horrorizada, tentava se vestir. Queria esconder seu corpo, protege-lo, como sempre fizera. Mas agora já era tarde demais...

Leiliane acordou assustada e ofegante. Sentia um crescente formigamento na barriga. Mas não se preocupou com isso.
Sentou-se na cama e olhou ao redor. O sol entrava pela janela de seu quarto. Ouvia seus pais conversarem lá da cozinha. Sentiu um imenso alivio ao se dar conta de onde estava. ‘Fora só um pesadelo’, pensara. Aquele ser mefistofélico se passara por Leo e a enfeitiçou, enchera-a de luxuria. Isso era o fastígio do horror, imaginara. Mas fora apenas um maldito pesadelo.
Ao se levantar, ainda tremula, viu o porta-retrato de Leo no chão. Apanhou-o e beijou-o. Depois tonta, foi até sua suíte tomar um banho, pensando no encontro que teria com ele naquela noite. Entregar-se-ia á ele ou esperaria até o casamento? Indagava. Achava a segunda opção ainda mais apropriada.
Abriu o registro de água para encher a banheira e começou a despir-se mas, fora assaltada por um grande choque e horror. Seu corpo todo fora tomado por uma incontrolável tremedeira. Tentou gritar, berrar, urrar, mas não conseguiu.
‘Não pode ser...’
Incapaz de permanecer de pé, caiu no chão.
Tentava convencer seus olhos de que aquelas marcas de mordidas, arranhões, e sua vagina sangrenta, não passavam de mera ilusão. Fechava os olhos e abria-os na esperança de ver que as marcas haviam sumido. Mas continuavam lá.
“– Tomara que perca a virgindade com o diabo...”
Não fora apenas um pesadelo.
Fora uma praga concretizada.
O formigamento na barriga se transformara então numa dor crucial. Perdera completamente as forças. Sentia apenas terríveis dores e contorções na barriga. Sua visão ficara escura.
Desespero. Lagrimas. Dor...
Perdera a consciência....
E os minutos se arrastaram...

Leiliane abriu os olhos, sua visão estava um pouco distorcida. Sentia-se confusa e mais fraca do que nunca. As dores na barriga cessaram, mas foram se concentrar na vagina da mulher.
Se deu conta de que estava molhada. Tentou se mexer, querendo se levantar, mas conseguiu movimentar apenas sua cabeça pro lado esquerdo e com isso viu a pia, a banheira transbordando água e o chão molhado tingido de vermelho. Sangrava.
Respirando fundo tentando se acalmar, fechara os olhos e buscou forças para conseguir chamar seus pais, mas não conseguira pronunciar qualquer ruído.
Procurou não pensar na situação em que se encontrava. Logo recobraria as forças e... E o que? O que poderia quer fazer depois que descobrira que perdera a virgindade com o diabo?
Então, Leiliane ouviu um grunhido medonho jamais pronunciado nos mais tenebrosos filmes de terror e ao abrir os olhos, se deparou com uma criatura de uns quarenta centímetros que se desenvolvia diante de si. Tinha da cintura pra baixo corpo de bebê musculoso e da cintura pra cima, era coberto por uma pelagem escura e animalesca. Possuía patas ao invés de pés e suas pequeninas mãos mais pareciam uma arma com aquelas unhas grandes e de aparência afiada, e no topo do pescoço fino, uma pequenina cabeça de bode a fitava com olhos odiosos.
Uma confusão de sentimentos a envolvera deixando-a ainda mais tonta e vulnerável: medo, repulsa, horror, choque... Virou a cabeça lentamente para não ter que olhar aquele monstro que crescia diante de seus olhos, mas ele, com um baixo grunhido abissal, se prostrara sobre ela e com pequeninos dentes pontiagudos, pôs-se a chupar os mamilos da mãe que de tanto nojo, morria asfixiada com seu próprio vômito.

FIM


de Bruno Wolff