quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Noite Conturbada





Não era a primeira vez que Jonas se deitava temeroso para descansar. Adorava ler livros e assistir a filmes de terror e isso sempre lhe causava certo “desconforto” na hora de dormir. Mas ele gostava daquela sensação de medo, de tensão, dos sustos, do pavor e principalmente dos fortes pesadelos que o terror lhe causava.
Naquela noite não tinha sido diferente, minutos antes de se deitar assistira a um filme ao qual contava a historia de um jovem roqueiro chamado Juste que ganhara de uma fã um relógio folheado a ouro do qual gostou muito. Mas o que não sabia era que aquilo havia sido um presente roubado. Aquela fanática fã querendo agradar ao ídolo dando-lhe um presente caro, mas sem poder comprar, rouba de um defunto o aparentável relógio. A historia se desenrola então numa perseguição terrível de um fantasma a esse roqueiro para obter aquilo que lhe pertence e a determinação da fã em conquistar seu ídolo.
O cérebro de Jonas ainda muito agitado para dormir registrava cenas do filme: “Juste deitado na cama num sono profundo, de repente acorda meio assustado com barulhos de algo se mexendo no corredor que dava para o seu quarto. ‘Animais imbecis” exclamou ele se referiando ao seu cão ou seu porco (sim, ele tinha um porco de estimação). O relógio brilhava á fraca luz do luar que provinha da janela. Voltou a dormir rapidamente, mas fora acordado sentindo uma forte preção sobre seu ombro e ao abrir os olhos, deparou com algo que o fez soltar um berro apavorado. Um outro par de olhos bem vermelhos e cheios de ódio encarava os seus, sustentados por um corpo fantasmagórico, nojento e em decomposição. A mão podre apartava fortemente o ombro de Juste. Os olhos vermelhos pousaram sobre o relógio...”
Jonas afastou essas imagens de sua cabeça, não queria perder tempo naquela noite pensado em cenas horripilantes, no outro dia tinha de acordar cedo pra ir pra escola , afinal, tinha 12 anos.
O garoto virou-se de lado e fechou os olhos, sentiu a agitação cessar e vagarosamente o sono começou a chegar... “Juste brandindo a mão direita tentando espantar o fantasma nervoso. De repente a assombração com um simples golpe com uma afiada faca, decepa a mão de Juste”...
Jonas abriu os olhos e sentou-se na cama frustrado. “Assim não da!” pensou. Olhando ao redor não consegui ver nada além da densa escuridão. “Estou seguro, na minha casa, nada de fantasmas decepadores de mãos...” Pensando isso esfregou o rosto nas mãos e jogou-se na cama. Mas as cenas do filme insistiam em repassar em sua mente.
“Juste tateando as paredes da cozinha procurando algo para se refugiar, de repente encontra seu frízer velho e desativado. Sem excitar entra dentro dele fechando a porta sem fazer barulho, mas de repente ela é aberta bruscamente. A única coisa que Juste via era um par de olhos vermelhos raivosos flutuando na escuridão”...
Jonas abrindo os olhos sentiu-se como se não tivesse o feito, levantou-se e entreabriu a porta de seu quarto para deixar uma nesga de luz entrar, pois a luz da copa que ficava defronte ao seu quarto, permanecia acesa. Ao voltar pra cama fez o sinal da cruz, deu uma olhada em volta do quarto, estava bem mais claro, sentiu-se mais tranqüilo. Poderia abrir a porta completamente para que a luz inundasse seu quarto, ou ate acender a sua, mas isso o atrapalhava a dormir, também já não era uma criança pra temer o escuro, e além disso, no fundo, gostava daquela sensação, mas desejou ardentemente ter companhia, nem que fosse seu gato.
Fechou os olhos e sem querer as cenas do filme persistiam: “Juste andando pelas ruas de um cemitério, segurando o relógio com sua única mão. De repente, pára em frente a uma lápide em que se lia” Aqui jaz Alfredo Ribeiro 25/04/1965 - 02/07/2007. Ele então deposita o relógio sobre a lápide, mas pela segunda vez é surpreendido por uma mão apertando seu ombro...”
Jonas se sentindo irritado abanara a mão sobre o rosto, como se quisesse espantar as cenas pavorosas. Decidiu se concentrar no final do filme que foi feliz, ( O roqueiro devolvera o relógio ao tumulo do fantasma ficando livre dele e ainda acabou se casando com aquela fã que inconscientemente lhe causara desgraças) e por conseqüência o sono abraçou-o.

De repete Jonas acordara sobressaltado. Sentou-se na cama. Os olhos esbugalhados percorriam o aposento. O peito arfava violentamente. Acordara com um ranger de... Olhou para a porta de seu quarto e se deu conta de que fora aquilo que o acordara, estava mais aberta do que a deixara, provavelmente uma rajada de vento empurrara e a fizera ranger, só isso. Jonas abriu um meio sorriso, tranqüilizou-se com esse pensamento e achando-se mais calmo, fechou a porta.
Voltou para a cama e tentou dormir. Sentiu o sono envolve-lo de novo, mas de repente... ‘Poff’...au’, dois sons ao mesmo tempo o acordara, um ‘poff’ que parecia algo batendo nas tabuas sob seu colchão, juntamente com um outro ruído mais baixo que na hora ele não conseguiu identificar, mas tinha certeza de que o barulho viera de debaixo da cama. Desta vez nem se sentou na cama, o quarto escuríssimo com a porta fechada deixou-o mais temeroso.
Cobrindo-se até o nariz apurou bem os ouvidos, não ouviu mais barulho. Achou que devia ter sonhado. Tranqüilizou-se e a adrenalina foi abaixando. Voltou a sentir o sono chegando aos poucos, mas de repente algo fez com que o pouco sono que chegara fosse embora num estalar de dedos. O garoto sentiu algo nos pés, ‘se mexendo’ lembrou-se de um filme em que.... ‘isso agora não!’.
Cobriu-se até a cabeça e ficou imóvel. Então sentiu de novo algo roçar seus pés e não parou por aí, a coisa foi subindo por entre suas pernas, sob a colcha. Jonas foi abrindo-as ainda mais para não encostar naquilo.
A ansiedade e a curiosidade acompanhadas pelo medo fizeram com que descobrisse a cabeça e olhasse, viu um calombo sob a colcha, avançando para cima dele, até que chegou em sua virilha. Ele sentiu o peso da ‘coisa’ subir e parar em sua barriga, pesava +- 1 kg. “O que será?” perguntava-se e um turbilhão de monstros passáva-lhe na mente.
Jonas incapaz de gritar e muito menos se descobrir para ver o que tinha sobre si, começou a tremer violentamente. Calafrios por todo o corpo; parecia que sua espinha havia congelado. ‘Onde está a sua coragem e aquela adoração pelo medo?” ouviu uma voz na sua mente dizer. Mas defrontando com a tal situação que antes acharia “da hora” sentiu que não gostava nada daquilo.
Só Deus sabia quanto tempo a ‘coisa’ permaneceria ali e o que ela iria fazer, ele não podia esperar, tinha que remover a colcha e se livrar daquele caroço ambulante.
Jonas não ia agüentar nem mais um minuto, tinha de fazer, tinha que sair daquela situação.
“Jogo a colcha pro chão e meto-lhe um tapa”, este foi seu plano e fechando os olhos, livrou-se da colcha e em seguida desferiu um golpe com toda força, uma força que nunca imaginara ter. Acertou a ‘coisa’ em cheio e a mandou longe, escutou-a bater na parede oposta e cair no chão, silenciosamente.
Fosse o que fosse já estava morto. Percebendo que não corria mais riscos, tremendo, levantou-se da cama e ascendeu a luz. Ficou indignado. O que vira o fez gritar, um grito sufocado e engasgado. Jazia no chão, uma criatura peluda, olhos azuis abertos sem nenhuma expressão e brilho, um filete de sangue escorria-lhe pela boca, era Tot, o gato de Jonas.

FIM

de Bruno Wolff

15 comentários:

  1. Ai que medo dos Blogs de fundo preto... já tive um, rs... mas enfim: história criativa, cara, parabéns!

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  2. ´Nossa Jonas é doido mas parecia ser só um sonho, que historia medonha, assusta qualquer um imagina o coitado do Jonas

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  3. hisoria criativa
    passa no meu
    http://planetavidademerda.blogspot.com/
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  4. muito bom,, e gostei das animações do lado, muito show!!

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  5. nossaaa que massaa, gosteii muiito legall...
    olha tava eu visitando os blog e acabei conhecendo o seu gostei pra caramba, mais eu tambem tenho viu e vou gostar muito se vc visitar e deixar um comentario lá me dizendo se gostou ou não, há claro é bem diferenti desse que é bem sombrio, o meu fala maiis de mim dos sentimentos e coisa e tal mais tambem é bem interessantee visita lá http://sheilinhafernandinha.blogspot.com/ vou ficar bem feliiz em sabeer que vc passou por lá, e claro vouu agoraa seguiir vc, pra podeer ler sempre suuas historiias ! valeuuu ♥

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  6. Muito bacana , parabéns , visualize na comunidade de blogs o blog de contos infanto juvenis, pode escrever um conto de terror para adolescentes... abração

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  7. Caraca.. isso q o medo faz com as pessoas
    Tadinho do Tot... =/
    Gostei mto da história!

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  8. Continuo afirmando q vc manda muito bem mas q acho os textos muito longos para um blog que é divulgado em massa nas comunidades do orkut

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  9. Esta semana li este conto que foi o primeiro que escrevi á quase um ano e ano pude deixar de fazer certas modificaçoes, entao concertei o que achei que precisava. Espero que tenha melhorado.

    Bruno Wolff

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  10. (*to lendoo a historia) o começo que li, é otimoo, adoreeei.

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  11. bem interessante ... cara teu blog me amedontra demais.....

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  12. Bem interessante e assustadora essa historia

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